sábado, setembro 29, 2012


Flores morrem, olhares ficam para sempre.

5


Cheiro bom, beleza inconfundível, mas não passam disso.

Busco, em algum lugar no fundo do meu subconsciente, respostas para perguntas que, por desvaneio, esqueci de fazer. Tento encontrar a verdade por trás das mentiras que as rosas podem trazer. São espinhos. 

Os espinhos que se escondem e escondem muita coisa. Escondem dores, sonhos não realizados, amores perdidos. Escondem tudo do tempo que passou e não volta mais e escondem a verdade, que machucamos, que fomos machucados, que somos humanos, e, por nos encontrarmos nessa condição de seres pensantes, ainda temos muito a aprender.

Visto isso, a ilusão me parece mais como uma fatalidade prevista, inevitável e aceita, tal como a morte, tal como a vida.

Por isso prefiro pôr olhares nos vasos e regá-los para que cresçam, para que de simples admiração, se tornem olhares de amor. Pois eles não são de mentir, não é de sua natureza, eles só contam verdades, mesmo que essas verdades não devam ser reveladas.

Há também olhares que me cansam, me cansam pelo mesmo motivo que fascinam, pois são verdadeiros e você sabe o que por trás deles. Então há aqueles olhares que estão com você, mas estão em outro lugar, que te veem, mas não te enxergam, olhares que mesmo quando sorriem, choram. Mas há aqueles que se salvam, que te olham, te leem, e sem dizer uma palavra, dizem tudo.

Para um desses vou correr agora, porque todas as perguntas que eu não fiz, todas as verdades que não vieram e todas as flores do mundo de nada valem diante dessa prevista, inevitável e aceita fatalidade que é o amor.

segunda-feira, setembro 03, 2012


E agora?

1






E agora, o que a gente vai fazer de nós? Quem é que vai deixar a gente a sós, pra discutirmos todas as coisas que não tivemos coragem de falar?

E agora que já tem tanta pedra no caminho e você não está disposto a juntá-las comigo pra gente construir o nosso castelo. Agora que eu tenho que andar por aí sozinha, nas ruínas, do que um dia quase foi nós.

E agora? Que o tempo passou, a música acabou, mas o sentimento continua aqui?

O que a gente vai fazer dos olhares tão carinhosos, dos abraços tão bem dados, dos porquês tão justificáveis? 

O que a gente diz pra todo mundo? Que não tem espaço, pra eu e você juntos ou que simplesmente já não é mais tempo pra dançar?

A gente pega tudo e joga no lixo? Pelo menos nisso você está disposto a me ajudar?

E eu agora? O que faço comigo? Sigo meu caminho ou te espero voltar?

sexta-feira, maio 11, 2012


Arrependimentos à parte, vamos viver.

0




Muitos perguntam: se você pudesse voltar no tempo e mudar uma coisa na sua vida, o que você mudaria? No primeiro momento vem uma série de coisas na minha cabeça, decisões que eu deixaria de tomar, pessoas que eu eu gostaria de apagar, coisas que eu teria  feito e não fiz, mas quando para e penso  fundo sobre isso, a resposta mais óbvia é: nada., porque quando me imagino de volta no lugar e momento do passado que me trouxe até aqui me vejo tomando a mesma decisão novamente.

Nada, nem a pior das escolhas que fiz até hoje trouxe só coisas ruins, pode ser que com você seja diferente, mas eu dou graças a Deus, ou graças a mim,  por cada erro que cometi, pois sem eles eu não seria quem eu sou hoje.

Digo isso porque acredito que as pessoas se torturam muito pensando em porque não fizeram isso e aquilo e esquecem que quando olhamos pra trás estamos olhando com os olhos de outra pessoa, a pessoa que nos tornamos, uma pessoa completamente diferente da que nós éramos e completamente diferente da que vamos ser amanhã.

Quando fazemos uma escolha, estamos sob a pressão de uma milhão de váriáveis, às vezes não temos tempo pra pensar, às vezes agimos por impulso, estamos com medo, cansados ou fora do nosso estado normal, muitas vezes o amor, ou a dor está nos sufocando, mas fazemos o que fazemos por alguma razão. Sua melhor amiga, sua mãe, ou você mesma hoje, sabendo o que sabe, faria diferente, mas todas essas pessoas não são quem você era, você não é quem você era.

E essa pessoa e todas as estúpidas decisões que ela tomou te trouxeram até aqui.

Então, use as lembranças para coisas boas, pare de torturar a si mesma, imaginar como tudo seria diferente, ou viver e reviver momentos que nunca aconteceram, enfim, deixe de se concentrar no que poderia ter sido e se concentre no que ainda pode ser.

quinta-feira, abril 26, 2012


Do tudo ao nada.

2


Você chegou rápido, como sempre chega em qualquer situação, me olhou bem fundo nos olhos e se foi e eu não soube ir atrás.
Nós éramos diferentes e iguais ao mesmo tempo, houve vezes que nos completamos, mas também vezes que quebramos e copos quebrados não se consertam, por isso terminamos assim, ambos juntando os pedaços do que já pareceu bom um dia. Ou fui só eu que quebrei?
De qualquer forma, haviam peças demais nesse quebra-cabeça e eu não soube montá-lo como deveria.
Você era a pressa e eu a espera, você era a brincadeira e eu risada, você era amor e eu paixão que passa. Mas houve coisas que fomos ao mesmo tempo, fomos covardia e o medo de tentar, nós fomos abraços, mas também fomos distância, fomos sorrisos e olhares que queriam dizer tudo, mas muitas vezes não queriam dizer nada, e nos enganamos, juntos, em buscar significados ocultos em coisas que não faziam sentido algum.
Você tentou, você correu e eu fiquei parada, como sempre fico em qualquer situação, apenas olhando, analisando, deglutindo palavra por palavra que você dizia, fiquei tão obcecada em analisar cada momento que esqueci de vivê-los, então você partiu. Acontece sempre.
Acho que sempre vai ser assim, todos seguem suas vidas, ficam um pouco e depois partem, enquanto eu continuo parada, fotografando cada sentimento, escrevendo cada sentimento, sentindo, com toda força, cada sentimento e enquanto não houver alguém com paciência para sentar, observar e esperar enquanto eu compreendo o que acontece dentro de mim, nunca haverá nós em nenhum lugar. 
E hoje, graças a minha incapacidade de correr e sua incapacidade de esperar, nós somos nada.

terça-feira, abril 24, 2012


O tal do amor...

2





Amor é coisa de gente grande, já diziam os sábios e a gente ouve, acredita, mas não prática, porque mesmo não sendo gente grande ainda gostamos de brincar de ser. Amor deixa de ser coisa de gente grande e passa a ser coisa de gente. E ponto final.

Afinal, se amor não escolhe cor ou classe social, por que iria escolher idade?

Até porque seria pedir demais que não sentíssemos nada quando alguém pegasse um violão pra cantar, mesmo que desafinando um pouco, nossa música favorita, que não ficássemos vermelhos quando nossos olhos encontrassem o de outro alguém, seria pedir demais que não nos apaixonassemos pelo jeito de olhar, pela suavidade do abraço ou pelo sorriso que ganhamos toda vez que dizemos algo engraçado. Pedir que isso não nos abale, que isso não chegue no nosso coração é pedir demais, é pedir o impossível.

Acontece o tempo todo e acontece com todo mundo, encontramos pessoas que nos tocam e há pessoas que são tocadas por nós também, não dá pra esperar virar gente grande pra isso acontecer.

Além disso, quando é que se vira gente grande? Quando se consegue a maturidade? Quando votamos no presidente? Quando finalmente saímos da casa dos nossos pais? Ou quanto tiramos carteira de motorista? Talvez seja quando se ama, por isso amor é coisa de gente grande, porque pra amar alguém, de verdade, precisa ser mais que gente, precisa ser grande.


domingo, janeiro 22, 2012


O nosso nós

1
texto antiguinho


Estive encostada na esquina da estrada que ligava meus passos aos seus. Observava, em silêncio, cada caminho que você seguia como se não me importasse.  Como se não me importasse se aquilo te machucaria, se os seus erros podiam ser irremediáveis, se um dia a força de minhas palavras fez você sangrar, captava a profundidade de seus suspiros como se, para mim, não tivesse importância se outros olhos eram donos de sua tristeza. Importava. Ainda importa. Apenas, recuso-me a acreditar que minha dor foi bem maior que a sua, recuso-me aceitar que esse sentimento vem de mim, recuso-me a contar a verdade pro mundo. 

Eu estive encostada, cansada, sentada aqui por tanto tempo esperando que você atravessasse a rua e eu simplesmente esqueci de como é andar por ai sem você. Não me recordo de não te carregar dentro de mim, não me lembro de uma dia em que seu nome não veio à minha cabeça.

A história eu sei de cor, salteado e virado de cabeça pra baixo, o sentimento sinto por completo, e a música canto não apenas o refrão, o que me falta é a coragem para te dizer tudo que você já sabe. Eu não tenho, é mais forte que eu, o silêncio é mais meu amigo do que as palavras que podem vir da sua boca. E você sempre fingiu seguir em frente, mas quando distante nunca esquecia de virar para trás e conferir se eu continuava aqui e, no encontro dos nossos olhos, nós tinhamos certeza de que o tempo nos tornou dois covardes, eu nunca corri e você nunca voltou, mas no caminho, encontramos uma curva.

Nunca nos demos bem com prisões e há tantos casos e acasos que nos prendem que, no final, acabamos por nos sentir como bandidos, sem direito a condicional, refugiados em uma casa qualquer na esquina.

Eu estou aqui, a nossa melodia está tocando, nossos olhares estão falando mais que nossas palavras, e não há milagre que transforme o que é nós em eu e você, porque no final, sempre voltamos para nossa própria casa.

quarta-feira, janeiro 11, 2012


Tempo, tempo, tempo...

3




Difícil saber quando é hora de partir. Não, difícil é aceitar que essa hora já passou há muito tempo.

A vida me chamou pra sair e eu atrasei, depois ela me ligou com voz de choro dizendo que eu brinquei com fogo e que oportunidades a gente não joga fora assim, enxugou as lágrimas do outro lado do telefone e declarou que não sabia quando ia voltar.

A verdade é que eu não queria ir. Me bateu uma depressão, aquela que bate quando a gente tem medo de largar tudo pra trás e começar de novo, quando se tem que esquecer pessoas, deletar sentimentos e aquietar o coração. A gente pensa  depois desiste, só porque o futuro é imprevisível demais para se tentar passar por ele. Mas o futuro chega para qualquer um, não importa o que a gente faça, o passado sempre passa e o presente tá ai pra dizer que não importa o que aconteça amanhã o sol vai nascer.

terça-feira, janeiro 10, 2012


Por um eu sem um você

2



Não havendo rosas, não haveriam espinhos. E não havendo nada que me preenchesse o peito, não havia nada para me preocupar senão o meu prório cabelo.

Houve dias em que meu coração acelerava só de ouvir seu nome, houve momentos em que eu precisava de você mais do que precisava de ar para respirar, mas o oxigênio me inflou os pulmões e eu percebi que, se não havia caído morta até então, podia muito bem viver sem você.

Sua presença me fez falta por dias, meses e até hoje, vez ou outra, sue rosto perambula pela minha mente. A saudade dos abraços que nunca vieram e das palavras que nunca foram ditas ainda bate a porta, e a dúvida do que teria acontecido  ainda me assombra, mas a dor, aquela que me acompanhou por tanto tempo já não está mais aqui.

Hoje, de você, restam apenas lembranças, nem boas, nem ruins, apenas uma história que já foi vivida e revivida uma centena de vezes e de tanto se reviver já está se apagando, como uma fotografia que com o tempo envelhece e  vira só um papel manchado.

Hoje ando meio vazia, meio sem nada, meio sem motivo, às vezes até a dor me faz falta, às vezes busco por alguém que tampe o buraco que você deixou, mas aprendi a ter paciência, e principalmente, aprendi a tapar os buracos sozinha.

Você pode ser uma das histórias mais bobas que já escrevi, mas se não fosse meu talento para esse tipo de história, não teria capacidade para ler tantas lições. Se hoje eu sou mais forte é graças a tudo o que você não fez por mim.

Talvez sua voz nunca saia da minha memória, talvez eu nunca pare de te descrever com as minhas palavras,  talvez, só talvez, se você batesse na minha porta eu ainda sairia correndo para atender, mas hoje eu sei que, na verdade, eu não preciso de você.

Selinho

1
Ganhei um selinho lá do viver de fantasia olha que meigo


Não tenho blog para indicar, além desse ai que vale muito a pena, então deixarei esse espaço somente para agredecer a ela por considerar o meu blog digno de um selinho.

quinta-feira, dezembro 08, 2011


Do outro lado do bar

1

Ele a avistou no bar, quieta, sozinha, com um drink quase sem álcool em mãos, parecia séria, pensativa. Seus olhos não procuravam pela porta, então deduziu que ela não esperava por ninguém, e pela formalidade da roupa devia ter acabado de sair do trabalho e tinha se dirigido até ali para esfriar um pouco a cabeça.
Ele podia ter se levantado e ido até ela, mas algo o fez ficar ali e apenas observar. Ficou sentado, pediu uma dose de whisky, reparou no corte da cabelo, na maquiagem fraca na pele, no brilho dos olhos quase perdidos no meio do cansaço, na maneira como ela olhava o relógio só por olhar, sem parecer se importar com  a hora que chegaria em casa.

E então, quando a vontade de conhecer a menina do outro lado do bar quase vencia, ela sorriu, não para ele, nem pra ninguém, apenas sorriu, aquele sorriso bobo, meio torto que a gente dá quando se lembra de algo que você gosta e há muito estava perdido na memória, mas pelo toque de dor que ele identificou quando os lábios se fecharam ele percebeu, ela pertencia a outro alguém.

Não pertencia daquele jeito que a gente imagina, ele não entraria pela porta e lhe daria um abraço, nem ligaria dali 2 minutos e a faria sair às presas, não havia uma aliança ou contrato que a tornasse dele, pertencia simplesmente por pertencer, porque era com ele que o coração dela estava e ponto.
Então, o rapaz entendeu, ela não estava ali para se livrar do estresse que o trabalho proporcionara, aquilo nos seus olhos não era cansaço e sim dor, dor de quem ama, e ela não olhava o relógio daquela maneira porque não tinha presa e sim por que sentimentos são atemporais. Ela havia pegado o carro e dirigido até um bar no centro simplesmente para tentar esquecer ou, quem sabe, lembrar ainda mais. Não olhava para porta e não prestava atenção em nada ao seu redor porque seus pensamentos estavam em outro lugar, em outra cidade, onde ele podia estar, quem sabe até outro estado, ou talvez, apenas na outra esquina, mas a distância de sentimentos que os separava era maior do que qualquer coisa que possa ser medida.

Pensou ter ficado tanto tempo a observando, pensando na maneira como ela se encontrava por dentro, tanto tempo que em algum momento ela percebeu e se virou pra ele, assustada, como se não imaginasse que alguém do sexo oposto pudesse a notar naquele lugar, mas sorriu de novo, e dessa vez era pra ele.


Ela o olhou por uns segundos e reparou na maneira como ele a olhava de volta, como se entendesse tudo que se passava com ela, e quando os olhos dele, vergonhosos, como se com medo, desviaram o olhar, ela entendeu: ele pertencia a outra pessoa.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...