terça-feira, abril 24, 2012
O tal do amor...
Amor é coisa de gente grande, já diziam os sábios e a gente ouve, acredita, mas não prática, porque mesmo não sendo gente grande ainda gostamos de brincar de ser. Amor deixa de ser coisa de gente grande e passa a ser coisa de gente. E ponto final.
Afinal, se amor não escolhe cor ou classe social, por que iria escolher idade?
Até porque seria pedir demais que não sentíssemos nada quando alguém pegasse um violão pra cantar, mesmo que desafinando um pouco, nossa música favorita, que não ficássemos vermelhos quando nossos olhos encontrassem o de outro alguém, seria pedir demais que não nos apaixonassemos pelo jeito de olhar, pela suavidade do abraço ou pelo sorriso que ganhamos toda vez que dizemos algo engraçado. Pedir que isso não nos abale, que isso não chegue no nosso coração é pedir demais, é pedir o impossível.
Acontece o tempo todo e acontece com todo mundo, encontramos pessoas que nos tocam e há pessoas que são tocadas por nós também, não dá pra esperar virar gente grande pra isso acontecer.
Além disso, quando é que se vira gente grande? Quando se consegue a maturidade? Quando votamos no presidente? Quando finalmente saímos da casa dos nossos pais? Ou quanto tiramos carteira de motorista? Talvez seja quando se ama, por isso amor é coisa de gente grande, porque pra amar alguém, de verdade, precisa ser mais que gente, precisa ser grande.
domingo, janeiro 22, 2012
O nosso nós
texto antiguinho
Estive encostada na esquina da estrada que ligava meus passos aos seus. Observava, em silêncio, cada caminho que você seguia como se não me importasse. Como se não me importasse se aquilo te machucaria, se os seus erros podiam ser irremediáveis, se um dia a força de minhas palavras fez você sangrar, captava a profundidade de seus suspiros como se, para mim, não tivesse importância se outros olhos eram donos de sua tristeza. Importava. Ainda importa. Apenas, recuso-me a acreditar que minha dor foi bem maior que a sua, recuso-me aceitar que esse sentimento vem de mim, recuso-me a contar a verdade pro mundo.
Eu estive encostada, cansada, sentada aqui por tanto tempo esperando que você atravessasse a rua e eu simplesmente esqueci de como é andar por ai sem você. Não me recordo de não te carregar dentro de mim, não me lembro de uma dia em que seu nome não veio à minha cabeça.
A história eu sei de cor, salteado e virado de cabeça pra baixo, o sentimento sinto por completo, e a música canto não apenas o refrão, o que me falta é a coragem para te dizer tudo que você já sabe. Eu não tenho, é mais forte que eu, o silêncio é mais meu amigo do que as palavras que podem vir da sua boca. E você sempre fingiu seguir em frente, mas quando distante nunca esquecia de virar para trás e conferir se eu continuava aqui e, no encontro dos nossos olhos, nós tinhamos certeza de que o tempo nos tornou dois covardes, eu nunca corri e você nunca voltou, mas no caminho, encontramos uma curva.
Nunca nos demos bem com prisões e há tantos casos e acasos que nos prendem que, no final, acabamos por nos sentir como bandidos, sem direito a condicional, refugiados em uma casa qualquer na esquina.
Eu estou aqui, a nossa melodia está tocando, nossos olhares estão falando mais que nossas palavras, e não há milagre que transforme o que é nós em eu e você, porque no final, sempre voltamos para nossa própria casa.
quarta-feira, janeiro 11, 2012
Tempo, tempo, tempo...
Difícil saber quando é hora de partir. Não, difícil é aceitar que essa hora já passou há muito tempo.
A vida me chamou pra sair e eu atrasei, depois ela me ligou com voz de choro dizendo que eu brinquei com fogo e que oportunidades a gente não joga fora assim, enxugou as lágrimas do outro lado do telefone e declarou que não sabia quando ia voltar.
A verdade é que eu não queria ir. Me bateu uma depressão, aquela que bate quando a gente tem medo de largar tudo pra trás e começar de novo, quando se tem que esquecer pessoas, deletar sentimentos e aquietar o coração. A gente pensa depois desiste, só porque o futuro é imprevisível demais para se tentar passar por ele. Mas o futuro chega para qualquer um, não importa o que a gente faça, o passado sempre passa e o presente tá ai pra dizer que não importa o que aconteça amanhã o sol vai nascer.
terça-feira, janeiro 10, 2012
Por um eu sem um você
Não havendo rosas, não haveriam espinhos. E não havendo nada que me preenchesse o peito, não havia nada para me preocupar senão o meu prório cabelo.
Houve dias em que meu coração acelerava só de ouvir seu nome, houve momentos em que eu precisava de você mais do que precisava de ar para respirar, mas o oxigênio me inflou os pulmões e eu percebi que, se não havia caído morta até então, podia muito bem viver sem você.
Sua presença me fez falta por dias, meses e até hoje, vez ou outra, sue rosto perambula pela minha mente. A saudade dos abraços que nunca vieram e das palavras que nunca foram ditas ainda bate a porta, e a dúvida do que teria acontecido ainda me assombra, mas a dor, aquela que me acompanhou por tanto tempo já não está mais aqui.
Hoje, de você, restam apenas lembranças, nem boas, nem ruins, apenas uma história que já foi vivida e revivida uma centena de vezes e de tanto se reviver já está se apagando, como uma fotografia que com o tempo envelhece e vira só um papel manchado.
Hoje ando meio vazia, meio sem nada, meio sem motivo, às vezes até a dor me faz falta, às vezes busco por alguém que tampe o buraco que você deixou, mas aprendi a ter paciência, e principalmente, aprendi a tapar os buracos sozinha.
Você pode ser uma das histórias mais bobas que já escrevi, mas se não fosse meu talento para esse tipo de história, não teria capacidade para ler tantas lições. Se hoje eu sou mais forte é graças a tudo o que você não fez por mim.
Talvez sua voz nunca saia da minha memória, talvez eu nunca pare de te descrever com as minhas palavras, talvez, só talvez, se você batesse na minha porta eu ainda sairia correndo para atender, mas hoje eu sei que, na verdade, eu não preciso de você.
Selinho
Ganhei um selinho lá do viver de fantasia olha que meigo
Não tenho blog para indicar, além desse ai que vale muito a pena, então deixarei esse espaço somente para agredecer a ela por considerar o meu blog digno de um selinho.
quinta-feira, dezembro 08, 2011
Do outro lado do bar
Ele a avistou no bar, quieta, sozinha, com um drink quase sem álcool em mãos, parecia séria, pensativa. Seus olhos não procuravam pela porta, então deduziu que ela não esperava por ninguém, e pela formalidade da roupa devia ter acabado de sair do trabalho e tinha se dirigido até ali para esfriar um pouco a cabeça.
Ele podia ter se levantado e ido até ela, mas algo o fez ficar ali e apenas observar. Ficou sentado, pediu uma dose de whisky, reparou no corte da cabelo, na maquiagem fraca na pele, no brilho dos olhos quase perdidos no meio do cansaço, na maneira como ela olhava o relógio só por olhar, sem parecer se importar com a hora que chegaria em casa.
E então, quando a vontade de conhecer a menina do outro lado do bar quase vencia, ela sorriu, não para ele, nem pra ninguém, apenas sorriu, aquele sorriso bobo, meio torto que a gente dá quando se lembra de algo que você gosta e há muito estava perdido na memória, mas pelo toque de dor que ele identificou quando os lábios se fecharam ele percebeu, ela pertencia a outro alguém.
Não pertencia daquele jeito que a gente imagina, ele não entraria pela porta e lhe daria um abraço, nem ligaria dali 2 minutos e a faria sair às presas, não havia uma aliança ou contrato que a tornasse dele, pertencia simplesmente por pertencer, porque era com ele que o coração dela estava e ponto.
E então, quando a vontade de conhecer a menina do outro lado do bar quase vencia, ela sorriu, não para ele, nem pra ninguém, apenas sorriu, aquele sorriso bobo, meio torto que a gente dá quando se lembra de algo que você gosta e há muito estava perdido na memória, mas pelo toque de dor que ele identificou quando os lábios se fecharam ele percebeu, ela pertencia a outro alguém.
Não pertencia daquele jeito que a gente imagina, ele não entraria pela porta e lhe daria um abraço, nem ligaria dali 2 minutos e a faria sair às presas, não havia uma aliança ou contrato que a tornasse dele, pertencia simplesmente por pertencer, porque era com ele que o coração dela estava e ponto.
Então, o rapaz entendeu, ela não estava ali para se livrar do estresse que o trabalho proporcionara, aquilo nos seus olhos não era cansaço e sim dor, dor de quem ama, e ela não olhava o relógio daquela maneira porque não tinha presa e sim por que sentimentos são atemporais. Ela havia pegado o carro e dirigido até um bar no centro simplesmente para tentar esquecer ou, quem sabe, lembrar ainda mais. Não olhava para porta e não prestava atenção em nada ao seu redor porque seus pensamentos estavam em outro lugar, em outra cidade, onde ele podia estar, quem sabe até outro estado, ou talvez, apenas na outra esquina, mas a distância de sentimentos que os separava era maior do que qualquer coisa que possa ser medida.
Pensou ter ficado tanto tempo a observando, pensando na maneira como ela se encontrava por dentro, tanto tempo que em algum momento ela percebeu e se virou pra ele, assustada, como se não imaginasse que alguém do sexo oposto pudesse a notar naquele lugar, mas sorriu de novo, e dessa vez era pra ele.
Pensou ter ficado tanto tempo a observando, pensando na maneira como ela se encontrava por dentro, tanto tempo que em algum momento ela percebeu e se virou pra ele, assustada, como se não imaginasse que alguém do sexo oposto pudesse a notar naquele lugar, mas sorriu de novo, e dessa vez era pra ele.
Ela o olhou por uns segundos e reparou na maneira como ele a olhava de volta, como se entendesse tudo que se passava com ela, e quando os olhos dele, vergonhosos, como se com medo, desviaram o olhar, ela entendeu: ele pertencia a outra pessoa.
segunda-feira, outubro 03, 2011
Nós somos muito jovens para derramar lágrimas
Tenho visto muitos amigos com cabeça abaixada e olhos molhados, muitas vezes vejo isso no espelho, mas por que?
Nossos sonhos nem começaram a se tornar realidade e o medo já nos coloca para dormir, nossos amores nem começaram a suspirar e a dor de não tê-los já nos sufoca a alma.
Nós escrevemos sobre dor, sobre amor, sobre sonhos que vão ficando cada vez mais distantes, nós falamos do medo, do receio que se tem em seguir em frente.
Não deveria ser assim. Nós não deveríamos ter coragem? Não deveríamos ser fortes? Não deveríamos ser inocentes a ponto de acreditar que nada vai dar errado?
Não caímos nem metade do que vamos cair a nossa vida inteira e já estamos pedindo para que alguém nos levante.
Mas chegou a hora de parar, de aprender a levantar sozinho. Chegou a hora de viver da única maneira que se pode viver bem: sem medo. Como se não houvesse riscos, como se não houvesse quedas, como se não houvesse morte.
Somos tão jovens, nós não temos que temer, nós não temos que acertar sempre, nós não temos que viver a vida como se ela estivesse prestes a acabar, porque nós, hoje, ainda somos imortais.
Nossos sonhos nem começaram a se tornar realidade e o medo já nos coloca para dormir, nossos amores nem começaram a suspirar e a dor de não tê-los já nos sufoca a alma.
Nós escrevemos sobre dor, sobre amor, sobre sonhos que vão ficando cada vez mais distantes, nós falamos do medo, do receio que se tem em seguir em frente.
Não deveria ser assim. Nós não deveríamos ter coragem? Não deveríamos ser fortes? Não deveríamos ser inocentes a ponto de acreditar que nada vai dar errado?
Não caímos nem metade do que vamos cair a nossa vida inteira e já estamos pedindo para que alguém nos levante.
Mas chegou a hora de parar, de aprender a levantar sozinho. Chegou a hora de viver da única maneira que se pode viver bem: sem medo. Como se não houvesse riscos, como se não houvesse quedas, como se não houvesse morte.
Somos tão jovens, nós não temos que temer, nós não temos que acertar sempre, nós não temos que viver a vida como se ela estivesse prestes a acabar, porque nós, hoje, ainda somos imortais.
quinta-feira, setembro 08, 2011
Sobre um coração meio louco...
Você estava parado lá, com um olhar penetrante e um sorriso radiante, eu te observei por uns 30 segundos e você continuava imóvel. Não sei ao certo qual o exato momento que aconteceu, mas quando eu percebi seu rosto estava em minha mente e seu nome me causava arrepios.
É sempre igual, começa leve como uma brisa, depois a coisa te invade como um furação e não é preciso ser médico graduado na usp pra constatar qual a sua doença: paixonite.
Sofro desse mal desde que meninos deixaram de ser aquelas crianças irritantes que te irritam no parquinho. Os sintomas são os mesmos, coração acelerado, quase taquicardia, olhos brilhantes e um sorriso bobo estampado no rosto.
E, dessa vez, passei a bola pra você, ou melhor, o coração, te arranjei um quarto com suíte aqui dentro e tô só esperando a hora de ir morar no seu, mesmo que seja em uma barraquinha montada às pressas.
E o engraçado é que você nem é especial, não tem olhos claros, corpo perfeito, não é super educado e nem tem QI acima da média, sem te conhecer direito já sei seus defeitos, e acho, inclusive, que você é meio louco, assim como o meu coração que de uma hora para outra te joga aqui dentro sem aviso prévio.
Mas sabe aquela sensação de tô nem ai? Então, eu não tô nem ai, eu só quero você aqui e depois... Ah, depois a gente vê o que é que faz.
quinta-feira, setembro 01, 2011
Um brinde a você
Ei menina, te vejo meio cabisbaixa, com carinha de quem chorou a noite toda e de quem tem um aperto no coração.
Eu sei que a culpa é dele, porque ele não atendeu o telefone, porque ele saiu do msn sem dar tchau, eu sei, ele esqueceu o aniversário de vocês, não ligou no dia seguinte e não sabe de cor o número do seu celular, ele te disse que não te ama mais, ou falou que nunca chegou perto de amar, ele passou reto sem cumprimentar, ele esqueceu de te pegar por trás, ou te disse que já não te quer mais?
Eu sei, ele é lindo de morrer, e tem cheiro de perfume francês, eu sei que ele é fofo e te faz rir e que você acha que não pode mais viver e nem vai encontrar ninguém assim.
Mas querida, vai passar. Como tudo nessa vida, vai passar. Olhe em volta, tem outros tantos por ai. É, não são iguais a ele, são diferentes, sorte sua que não vai ter que sofrer na mão do mesmo filho da puta. Eles são os certos e os errados pra você, bonitos, feios, engraçados, desajeitados, sérios,ou tudo isso ao mesmo tempo.
Você ama ele, mas bota a mão no peito. Tá batendo? Ame isso ai, ame o sangue que corre pelas suas veias, se orgulhe do coração que pulsa mesmo depois de quebrar, ame o seu cabelo, ame aquilo que você faz de melhor,ame o seu sorriso e mostre ele pro mundo inteiro. Você é linda de morrer e tem cheiro de flores de primavera, então se apaixone pelo seu reflexo no espelho, porque ele é o único que vai sentir exatamente o que você sente por ele. Não se iluda, não procure o prícipe encantado, mas acredite na princesa que há dentro de você. Ame cada pedacinho seu e não mude por nada nem ninguém nesse mundo, a não ser por você mesma. Enxergue o que há de bom dentro de você e mostre pra que todos possam ver.
Rejeite quem te rejeitar, exclua quem te excluir e não ligue pra quem não te ligar.
Então quando ele aparecer no meio daquela festa, levante um copo para brindar e quando ele perguntar: a nós? Dê o seu sorriso mais bonito e responda: não, a mim.
domingo, agosto 14, 2011
O último.
Eu te amei com tudo que tinha, não era muito, mas era sincero, eu, inexperiente que sou nesse assunto tão amplo que é o amor, te amei.
Do meu jeito, meio sem saber o que tava fazendo, fui entrando cada vez mais dentro de você, fui abrindo cada portinha que aparecia na minha frente sem sequer pensar aonde eu ia, ou queria, chegar. Estava tão curiosa em saber o que aconteceria se eu apenas seguisse em frente que não pensei duas vezes e deixei que você tomasse conta de mim.
Eu sentia que precisava ir fundo, precisava cavar o buraco mais e mais, acima de tudo, sentia que precisava sentir, porque era sentindo, e sentindo por você que eu encontrava um motivo para não desmoronar.
Fui tão fundo nessa história de ir fundo que acabei longe demais, mas mesmo perdida, eu ainda te amava. Cada pedaço de você me encatava, desde os pontos mais visíveis até os mais ocultos, eu conhecia e gostava de todos. Talvez eu realmente pudesse me atirar em frente de uma bala para te salvar, talvez eu realmente fosse capaz de desistir de tudo por você, mas por mais sincero que fossse, não era bonito. Meus céus nunca pareceram ensolarados e pintados de azul como achei que seriam, eles apenas anunciavam uma tempestade que uma hora ou outra teria que cair.
E então, no meio do caminho, percebi que me encontrava perdida em um labirinto, com saída, porém sem luz. Meus pés estava cansados e meu coração nem sentir queria mais.
Em algum momento naquela bagunça você se tornou meu ponto vulnerável. Ao mesmo tempo que lembranças do seu sorriso faziam meu coração se acalmar dentro do meu peito, o teu nome me causava um arrepio que subia a espinha, arrepio que logo virou dor, dor que por pouco não virou grito.
E eu me encontrava parada no meio de um caminho que era longo não importava para que lado eu corresse, mas eu tinha que ir e tinha que ir naquele momento, antes que tudo em você me prendesse ali, para sempre.
Foi o que fiz, corri,lutei, fugi, neguei.
E agora eu saio pela porta do fundos sem fazer barulho e sem deixar vestígios de que um dia estive aqui, e nesse texto, o último dos muitos já escrito para você, eu deixo meu último recado: eu te amei.








